Então...Definitivamente, minhas férias de julho de 2011 terminaram.É fato. É domingo, 31 de julho, já tocou a musiquinha do Fantástico e amanhã, não bastasse uma, tem duas senzalas me esperando.Ate aí, nada de novo. Afinal, é sempre isso que acontece no final das férias. Não. Não é a mesma coisa. Não sei ainda dizer o que houve dessa vez, mas não é como das outras. Lógico que eu já sofri ao deixar certos lugares, no final das viagens, como aconteceu em Madrid, por exemplo, mas é diferente, porque lá moram meus compadres e meu afilhado querido, amigos de toda vida. Normal ficar nostálgica em deixar um lugar assim. E em NY? Quem mora lá? Não conheço ninguém, absolutamente ninguém lá. Fui e voltei sozinha de lá. Nunca havia estado por lá antes. Na verdade, foi meu primeiro porto na terra do Tio Sam. Como explicar isso, então? Como explicar essa dor, quase desespero que eu sinto agora em lembrar de lá. Em não ter querido sair de lá e, pior, em não querer estar aqui ainda. Não sei explicar. Não sei mesmo. Desisti de tentar entender. Só uma coisa eu sei: a memória afetiva que temos pelas coisas e lugares que nunca vimos e onde nunca estivemos pode ser muito mais forte do que podemos imaginar. Acho que foi isso o que aconteceu em NY. Só pode. Não é, definitivamente, normal eu me debulhar em lágrimas nos lugares como aconteceu por lá. Também não é normal eu ter que ficar engolindo o choro na rua, no meu último por dia por lá, enquanto me despedia das coisas que eu tanto gostei. É muito daquilo, daquela sensação de já conhecer o que na verdade a gente ainda não conhece. Isso me tocou muito. Demais. Pra quem sempre foi louca por cinema, como eu, é muito forte a experiência de estar naqueles lugares só conhecidos das grandes telas. Sentir esses lugares. Experimentar a sensação única de que eles, de fato, existem é uma coisa indescritível. Evidente que eu trouxe fotos, e muitas, de tudo isso, mas nenhuma fotografia é capaz de captar aquilo que de melhor uma viagem deixa na gente: as marcas profundas, a impressão na alma, as sensações, os gostos, os cheiros e até os pensamentos que a gente tem enquanto está por lá. Não existe fotografia capaz de captar isso, por maior que seja a sensibilidade do fotógrafo. Assim, estou, ao mesmo tempo, feliz e triste. Feliz por ter estado lá, triste por não estar mais. Ainda não consegui me acostumar a não estar mais lá. Espero que não demore. Às vezes é tão mais fácil e cômodo a gente aceitar a nossa vida quando desconhece todo o mundo que está à parte dela e maior que ela. Eu acho que um pouco foi isso, essa sensação de estar em uma cidade de fato cosmopolita e poder viver a experiência de conviver com gente do mundo todo, com caras, cores, línguas e culturas absolutamente diferentes. Uma verdadeira Babel moderna. Essa experiência é tão forte que fica difícil retomar a rotina depois disso. É lógico que eu consigo! E eu adoro a minha vida - com tudo que faz parte dela - a minha casa, na minha cidade, no meu país. Não é que eu não quisesse voltar. Não é isso. É diferente. E muito difícil mesmo de explicar. Talvez eu não estivesse ainda pronta pra voltar ou refeita da desconstrução que é viver uma experiência assim. É. Acho que pode ser isso sim.Em resumo, em relação a NY só tenho um lamento: não ter ido antes!
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Start spreading the news...
...I´m leaving in a month...lá lá lá lá...
Ok, eu sei que a letra de New York, New York não é bem essa, mas, enfim... prá mim é! Se tudo continuar dando certo na recuperação da minha hérnia de disco e o médico me liberar... Yes, I can! rsrsrs
Engraçado porque nem eu sabia o quanto eu queria conhecer Nova York. Minha mãe queria muito, é verdade, e infelizmente não teve essa oportunidade, mas eu mesma nunca havia parado para pensar seriamente sobre isso. Evidente que era um lugar que eu sabia, de uma forma ou de outra, que um dia eu iria ir, mas não propriamente uma prioridade. Lógico que eu sempre amei os filmes doidos do Woody Allen e, portanto, sempre estive um pouco, familiarizada – vamos dizer assim – com as imagens de Nova York, mas a atual e concreta perspectiva de estar lá dentro de um mês está literalmente me tirando o sono! Estou empolgadíssima, como há muito tempo não ficava! Claro que isso deve se dever à essa minha enfermidade toda, que me fez perder todo o verão em cima de uma cama, o que acabou me motivando, prá não dizer obrigando, a encarar uma dieta rigorosa pela qual já se foram, até agora, 17kg, o que faz com que qualquer pessoa fique animada. A expectativa de caminhar por aquelas ruas “conhecidas” e tantos lugares também “conhecidos” me faz contar os dias de forma regressiva. Já li muita coisa sobre a cidade. Voltei a estudar inglês, depois de mais de 10 anos sem sequer abrir um único livrinho, a fim de dar uma desenferrujada. Conversei com diversos amigos que já estiveram por lá, a fim de recolher preciosas dicas sobre as possíveis armadilhas no percurso, mas, principalmente, sobre tudo de bom que está por vir. Enfim, I´m very excited! E espero, sinceramente, em muito breve estar de volta por aqui compartilhando dicas sobre mais esta viagem.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Das coisas que só acontecem comigo...
Então, em razão de ter estourado uma hérnia de disco na coluna lombar – hérnia essa da qual eu sequer conhecia a existência – tive que deixar totalmente de lado a dedicação a este blog e, muito pior, às próprias viagens.
Depois de um longo período de molho, aproximadamente 90 dias, e sem ter podido viajar em nenhum feriado, desde o carnaval, nem ter desfrutado nada do verão, finalmente, resolvi me aventurar e, contrariando recomendações médicas, viajar de ônibus a Buenos Aires. Por que, mais uma vez, Buenos Aires? Porque, como já disse em outras oportunidades, nem considero mais as idas a Buenos Aires como viagens, mas como um retorno a um lugar “meu”, querido, conhecido, seguro, sem grandes novidades. E era exatamente isso que eu queria: simplesmente curtir Buenos Aires, matar as saudades mesmo, depois de um ano sem andar por lá. Ocorre que, mesmo não havendo reservado a tal viagem de última hora, houve um contratempo e a excursão que eu havia comprado terminou por ser cancelada, de forma que eu, minha irmã e um casal de amigos que nos acompanhou tivemos que migrar, de última hora, para um outro “pacote” (prometo, aliás, JURO, que ainda hei de dedicar um post inteirinho aos famigerados “pacotes”!). No caso específico desse nosso, pode-se dizer que era mesmo como um daqueles pacotes abandonados em aeroportos e que, normalmente trazem uma bomba dentro. E foi exatamente isso: uma bomba! Não há melhor palavra para definir o que foi essa excursão. Evidente que, apesar disso, e, como sempre aliás, aproveitei e muito Buenos Aires! Pois bem. Mesmo antes de sair de casa eu já tinha notícias de qual seria o nosso hotel e, analisando a localização no mapa, cheguei a brincar com a minha irmã dizendo que, definitivamente, iríamos parar embaixo dos viadutos de Buenos Aires, lá nos cafundós da 9 de julho, próximo de San Telmo. Mas, mesmo sabedora de tudo isso, nenhuma imaginação era capaz de atingir o que era, de fato, o tal hotel. Olha, nem sei se existe palavra para definir aquilo. Confesso que à medida em que o ônibus se aproximava da localização do tal hotel, na esquina do lindo e antigo prédio da estação de trens da “Plaza de La Constitución ”, era como se nós estivéssemos chegando à Cracolândia, em São Paulo. Igualzinho. Sem tirar, nem por.
Imediatamente, olhando pelo vidro do ônibus, pude perceber que a população local se tratava, basicamente, de imigrantes bolivianos e peruanos. Sem nenhum preconceito nisso, mas, consabido, que, em Buenos Aires , são esses imigrantes que engrossam as “favelas” que a cada dia crescem mais nos arredores da cidade, especialmente na entrada, às margens da própria avenida 9 de julho. Dito e feito. Em seguidinha, já pude avistar vários restaurantes especializados em comida peruana, o que reforçou a minha tese.
Quando finalmente o ônibus parou na frente daquela espelunca cujo nome ainda ostentava quase que em tom de deboche a expressão “palace”, só o que pude fazer mesmo foi rir, afinal, chorar iria resolver alguma coisa? Como sempre, preferi encarar a indiada toda como mais uma oportunidade de conhecer um lado, pelo menos por mim, nunca antes visto de Buenos Aires ou, como me disse um dos tantos taxistas que nos levaram de volta à Cracolândia, depois de dias e noites de divertimentos no coração da cidade, certamente eu teria histórias a contar aos meus netos. Definitivamente, também prefiro encarar assim. Todavia, isso não era tudo. Como diz, sabiamente, a mãe de uma amiga minha, pessoas incompetentes se cercam de pessoas incompetentes e vice versa. Assim, o que esperar do grupo que acompanhava aquele tipo de “guia”? O óbvio. Que tivessem o mesmo nível intelectual subterrâneo do próprio guia. Inicialmente, confesso, tive pena dessas pessoas, por pensar que era a primeira vez que iam a Buenos Aires e estavam experimentando uma visão nada gloriosa da cidade. Todavia, depois de um breve tempo de convivência, cheguei à conclusão de que, para aquele tipo de turista, isso não fazia a mínima diferença. Ouvi ignorâncias das mais diversas ordens. Só para ilustrar, fui obrigada a ouvir coisas do tipo “na Catedral tem uma “parte” que só abrem de vez em quando e parece que é para um tal de San Martin”. Tradução: essa pessoa estava se referindo ao túmulo do maior herói argentino, San Martin, chamado por todos de “El Libertador”, que se encontra justamente dentro da catedral de Buenos Aires, na praça de maio e que é guardado as 24h do dia por sentinelas que fazem a cerimônia de troca de guarda sempre às 10h da manhã. Um ritual, por sinal, muito bonito de ser assistido. Talvez não por pessoas que nem idéia tenham do que esteja acontecendo durante o ritual, como foi o caso dessa senhora. Que as atuais gerações de jovens nada saibam sobre história, confesso que nem me choco mais, mas que pessoas que estudaram a história da América Latina sequer tenham notícia de quem foi San Martin, isso sim me choca e muito. Aliás, sempre me pergunto isso. Sempre me questiono acerca do que leva certas pessoas a certos lugares. O que as motiva a viajar e se lançar muitas vezes ao desconhecido? No meu caso, certamente, parte da motivação é a curiosidade quase doentia de ver, estar e conhecer os lugares onde aconteceram as coisas que estudei na história. As ruas, os restaurantes, as casas por onde transitaram tantos desses personagens instigantes. Mas admito, pelo que tenho visto ao longo de tantas viagens, que não é bem isso que motiva a maioria das pessoas. Fico triste em ver tanta ignorância e só me cabe lamentar. Só me cabe lamentar ver hordas de turistas levados como ovelhas ou vacas de presépio a entrar e “conhecer” prédios, monumentos e lugares que nada significam para eles. Talvez por isso seja tão comum ver pessoas fazendo fotografias inconcebíveis. Ver gente literalmente encoxando monumentos históricos e achando muita graça disso. Juro pela minha saúde que depois de ver e ouvir tanta ignorância, só o que eu pedia a Deus, o tempo todo, era que me mantivesse incólume a isso. Que me permitisse construir um muro, um bloqueio dentro da minha cabeça de forma que eu sequer tivesse que ouvir as barbaridades que eu ouvi. Claro que, mesmo com esse filtro, muita coisa passou né e tive que conviver, ainda que por pouco tempo, com esse tipo de turista, porque bastou “ancorarmos” na cidade para que eu e meus amigos rapidamente nos desgarrássemos desse “grupo”. Lembrei muito, mas muito mesmo, da participação daquele consultor de etiqueta, o Fábio Arruda, em um desses realitys da TV, quando, num momento de completo desespero e aos prantos ele afirmava “esse não é o meu grupo de amizade. Não é o tipo de pessoas com quem estou acostumado a conviver”. Faço minhas as palavras dele e, cada vez mais me convenço de que não há nada melhor do que viajar sozinha ou acompanhada de amigos próximos a quem se possa mandar à merda sem que isso gere nenhum tipo de constrangimento. Não suporto a idéia de me sentir vinculada, amarrada a esse tipo de gente só por estar em um grupo, a pessoas que nada tem a ver comigo e que, por isso, tem interesses, ainda que turísticos, diametralmente opostos aos meus. E isso, por favor, nada tem a ver com distinção de classe ou diferença econômica. Até porque, cultura, em definitivo, não se distingue por classe social. O que mais se vê, aliás, em termos turísticos, são “novos ricos” imersos na mais profunda ignorância e que viajam aos bandos, como massas humanas involuntárias, ou seja, sem nem saber por que ou para que, para destinos considerados “da moda”. Lamentável, como eu já disse antes. E que Deus continue me dando a bênção de estar bem longe desses destinos turísticos pré-fabricados e de pronto uso. Apesar de tudo isso, desse contexto infeliz dessa última viagem, eu e meus amigos, protegidos pelo muro que construímos ao nosso redor e principalmente dentro das nossas cabeças conseguimos aproveitar e muito mais essa estada na capital porteña. De novidade mesmo, não houve nada. Repetimos antigos e bons programas, como recorrer a calle florida em busca de boas ofertas, saborear o inigualável sorvete do Freddo, jantar em um dos tantos restaurantes do Puerto Madero, passear de charrete pelo parque de Palermo, desfrutar da feira de artesanatos na Recoleta, assistir a uma ópera, estilo broadway, em uma das tantas casas de espetáculo na corrientes, tomar um chope bem gelado no emblemático café Tortoni, ir até o delta do tigre e em vez de, mais uma vez, fazer o passeio de barco, aproveitar a feira do Mercado de los Frutos, além de desfrutar mais um café na Havana e, depois ,recorrer outros cafés e livrarias na Avenida Santa Fé, comer uma pizza em uma das tantas padarias/confeitarias da calle lavalle e fechar tudo isso com chave de ouro e ao som de um bom rock and roll, regado a muito chope no Hard Rock café. Enfim, é como dizia o Renato Russo, afinal “podem até maltratar meu coração, mas meu espírito ninguém vai conseguir quebrar”.
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