sexta-feira, 26 de novembro de 2010

E o Rio de Janeiro? Continua lindo?

Impossível ficar indiferente à mais recente e atual onda de violência que assola a Cidade Maravilhosa nas operações policiais de ocupação dos morros cariocas ou, numa livre tradução, guerra declarada do Estado contra o tráfico de drogas na cidade. As imagens transmitidas ontem, ao vivo, pela televisão, davam conta de uma verdadeira guerra civil. Imagens que mais pareciam tiradas daquele filme brasileiro, aquele mesmo, que em algumas cidades está em cartaz e que, como no primeiro volume, foi amplamente pirateado e já havia sido visto por um público recorde para o cinema nacional, mesmo antes da estréia oficial nos cinemas. Olha. Sinceramente, eu nem sei o que dizer. De tão triste que fico em ver essas imagens. Se existe no mundo alguma cidade mais linda que o Rio de Janeiro, eu ainda não tive o privilégio de conhecer. De todos os lugares que já fui em nenhum, de verdade, a beleza natural, somada ao astral do lugar e das pessoas gera uma combinação tão feliz como no Rio de Janeiro. Eu costumo dizer que é impossível ficar mal humorado no Rio. Diante daquele mar que abraça toda a cidade, dos morros esculpidos por Deus e ainda da imagem do Cristo, de braços abertos abençoando aos que por lá estão. Não dá. Definitivamente, não dá mesmo. E o título de Cidade Maravilhosa é mais que merecido. Os cariocas, entendo eu, tem aquele ar displicente que chega a descambar quase para o deboche e às vezes me irrita muito, mais muito mesmo, mas só pode ser por uma razão: sabem que nasceram e vivem na cidade mais linda do mundo! Só pode ser isso. E talvez, justamente por isso, os demais, assim como eu, sintam, lá no fundo e mesmo que de uma forma não expressamente revelada, um pontinho de inveja, sim, de toda essa leveza com a qual eles levam a vida. Esse “jeito carioca”, mesmo que por vezes irritante, é sim, único e invejável! Eu sou gaúcha, como o maior orgulho disso e sei que não existe – quem sabe só comparado aos nordestinos? – bairrismo maior que o nosso. Todavia, tenho que admitir que nós gaúchos não sabemos relaxar da mesma forma que os cariocas. Levamos tudo muito a sério, a ferro e fogo e somos aquilo que aqui chamamos “faca na bota”. E às vezes me pergunto: “ganhamos o que com isso mesmo?”. Talvez a antipatia de boa parte dos nossos irmãos brasileiros que nos acham metidos e às vezes até grossos e estúpidos com nosso jeito de sermos/nos acharmos sempre os melhores e os donos da verdade. Não entendo que ser gaúcho seja isso e acho que a maior beleza de ser gaúcha é justamente o apego à terra gaúcha, às tradições, à família e o orgulho gaúcho. Ser o povo mais hospitaleiro que eu conheço. Ser sério, correto, trabalhador e confiável. É assim que eu vejo, pelo menos. Por outro lado, vejo os cariocas - assim como os nordestinos ou qualquer outro regionalismo ao qual se nomine - muito injustiçados. Pagando a pecha de, por serem descontraídos, serem muitas vezes taxados de vagabundos. E, lógico, que, como em qualquer outro esteriótipo, isso não está certo. Não está mesmo. Tenho muitos amigos cariocas, graças a Deus! Há pouco, na última viagem que fiz, ainda “ganhei” alguns mais. E se querem mesmo saber, adoro ir ao Rio e lá, exceto pelo sotaque, ouvir dizerem que eu tinha tudo para ser carioca. Não há maior elogio prá mim! Dizerem que tenho “jeito” de carioca, por causa do meu bom humor, do meu bronzeado e, também, lógico, porque sei dar o devido valor a um chope gelado. É isso, então. Só queria e quero expressar a minha solidariedade a todos os cariocas. Dizer que eu, assim como acredito todos, estou muito triste mesmo com os recentes episódios no Rio, mas, respondendo à pergunta inicial, dizer que, com certeza, o Rio de Janeiro continua lindo! E, se Deus quiser, continuará, ainda, por muito tempo!

domingo, 21 de novembro de 2010

Sobre as minhas histórias



Tava aqui pensando sobre o que escrever, em que ordem, enfim... Tentando ser um pouco menos egoísta. Deixando de pensar no que eu gosto de escrever e mais no que, talvez, as pessoas fossem gostar de ler. É um exercício difícil esse. Eu diria que cotidiano mesmo, especialmente quando se resolve publicar, mostrar, o que se escreve. É meio diferente e, ao mesmo tempo, muito parecido com escrever um diário. Por anos, durante a adolescência, eu escrevi diários. Sempre gostei de escrever e, mesmo quando a moda era customizar agendas com “trocentos milhões de clips coloridos”, o que eu gostava mesmo era de escrever nas tais agendas, contar histórias. Esses dias eu achei algumas dessas agendas e me diverti muito com o que eu li, além de, por outro lado, me assustar percebendo que algumas coisas não mudaram muito não e que, talvez, o tal amadurecimento não tenha sido assim tão efetivo...rsrsrs  Mas por falar nas histórias... era nisso mesmo que eu estava pensando! Lembrando do quanto alguns amigos pediam que contasse as minhas “histórias engraçadas” que aconteciam, especialmente, durante as viagens. Espantoso como todos ou a maioria, enquanto eu estou viajando, escrevem e dizem que estão ansiosos por ver as fotos, mas especialmente, por ouvir “as minhas histórias”. Como outros chegam a verbalizar que estão com saudades minhas, mas principalmente, das “minhas histórias” e que só imaginam quantas “histórias novas” eu não vou ter prá contar. Engraçado isso. Uma amiga, certa feita, aqui mesmo, na minha casa, depois de ouvir umas das tantas “minhas histórias”, e de se matar de rir, disse que eu devia escrevê-las em algum lugar. Guardá-las. Com a riqueza dos detalhes que as tornavam cômicas, porque, com o passar do tempo, era possível que eu esquecesse, se não das próprias histórias, certamente dos detalhes. Lembro que eu ri e disse que isso também já havia me ocorrido, mas como daquelas coisas que vem à cabeça e logo se vão, não passou disso na época. Quem diria, então, que passados alguns anos, finalmente, eu perdesse de vez a pouca vergonha que ainda me restava e elegesse um lugar, um espaço, para guardar e, principalmente, compartilhar todas essas histórias malucas. E, por conta disso, pensei em inaugurar uma série intitulada “das coisas que, DEFINITIVAMENTE, só acontecem comigo”. Porque, sim, nenhuma dessas “minhas histórias” é fictícia. Todas aconteceram, de fato, e exatamente da forma que eu descrevo. Hoje à tarde eu estava viajando nos meus pensamentos e lembrei de um episódio cômico, hilário, que aconteceu comigo quando viajei a Manaus, pela 1ª e única vez que estive lá, em 2005. E engraçado porque, antes de lembrar disso, eu havia mesmo quase que completamente esquecido dessa história...
Reconheço que tenho muita dificuldade nisso, mas vou tentar resumir.
Era mais um dia de calor escaldante em Manaus, num mês de abril, em 2005. Eu, como boa turista, resolvi encarar uma excursão de barco pelo rio Negro,  para passar o dia e fazer vários passeios no principal e mais antigo dos hotéis de selva da Amazônia. Aquele mesmo. Todo verdinho, para se confundir com a floresta, e com um nome bem americanizado, pois, afinal, o público alvo sempre foi e ainda continua sendo os gringos. É sim, também, o mais charmoso, onde o então casal Leonardo di Caprio e Gisele Büdchen fizeram aparições e onde outras tantas celebridades já deram e seguem dando o ar da sua graça. Salvo engano, este hotel foi projeto ou pelo menos teve pitaco de Oscar Niemeyer e foi uma coisa muito inusitada para a época, (creio que 1982?), pois consiste num conjunto de grandes palafitas no meio da selva, com passarelas que as ligam e passam praticamente na copa das árvores. Por baixo de tudo, água em abundância. Eu lembro de ser criança, sempre apaixonada por bichos, e ver o Jacques Custeau, na sua excursão pela Amazônia, com o seu bichinho de estimação brazuca, a inesquecível ariranha Caxá, passeando por este hotel aí e eu pensando seriamente: um dia vou ir neste lugar! Ah, se vou! E fui, de fato, mas, infelizmente, a “coisa” não foi bem assim como eu havia imaginado não... Pois bem. Fui deixada pelo meu namorado, bem cedinho da manhã, no píer do Hotel Tropical, na Ponta Negra em Manaus, de onde partem a maioria, senão todos, dos barcos que vão para os tais hotéis de selva. Meu passeio era de dia inteiro e incluída recepção com café no hotel, conhecer o boto cor de rosa, além de uma casa de caboclo, em uma comunidade ribeirinha, almoço incluído no hotel, pesca à piranha, passeio de barco para conhecer os iguarapés e iguapós e banho de rio, com retorno a Manaus no final do dia. Pelo que lembro, era isso. E não era nem um pouco barato não, prá não dizer que era caríssimo! Ficar no hotel, então, era obsceno! Coisa só prá gringo que ganha em euros mesmo. Lembro que só lamentei mesmo não passar a noite por não poder participar da “focagem de jacaré”... Quer dizer, a essas alturas eu ainda lamentava isso, porque depois dei foi graças a Deus por não ter que passar a noite por lá. Buenas, mas voltando, ainda à partida no píer, em Manaus. Então, foi justo aí que já aconteceu a 1ª “novidade”, pois quando cheguei no tal píer, eu e mais o povo todo que ia na tal excursão, havia um barco grande o bonito com o nome do tal hotel pintado na lateral e todos nós, por óbvio, acreditamos que era nesse aí que partiríamos. Ledo engano. Passados alguns minutos para a hora do embarque e já com um sol de rachar e um calorão dos infernos, o tal barco partiu sozinho e, detalhe, ao lado dele havia outro bem menor, bem mais acanhado e também com o tal logo do hotel. Adivinhem? Sim! Era nessa “fubica” que iríamos embarcar. Não sou muito boa nisso, mas, mal comparando, a visão daquele momento seria como um fuca velho escondido atrás de uma limosine nova. E, como disse, claro que nós fomos no fuca! Eu só ria. Ia fazer o que, no lugar disso? Atrasados, partimos. Dentro da tal embarcação, gente das mais diversas faunas, vamos assim dizer. Na maioria esmagadora, gringos. Brasileiros eram poucos. De um total de umas 100 pessoas, acho que uns 10, no máximo. Do meu lado foi sentado um indiano com uma câmera fotográfica do tempo do êpa, mas ele era simpático e até fiz algumas fotos para ele e ele outras para mim. A vantagem de conversar em inglês com um indiano é que a gente fica achando que o nosso inglês está ótimo. Ah! Esqueci de dizer que eu e o indiano ainda tivemos sorte, pois fomos sentados, já que boa parte dos passageiros foi em pé e não era propriamente uma travessia a São José do Norte, de só 25min, mas uma boa viagem de umas 2h de Manaus até o tal hotel. Também não precisava ser muito perspicaz prá perceber que não havia coletes salva-vidas para todo aquele povo, mas nessas horas só há uma coisa mesmo para fazer: segura na mão de Deus e vai!

Avistando o tal hotel



À medida que o barco foi se aproximando do tal hotel, eu, que nunca posso perder uma única foto e já estava atenta há horas, percebi que nos telhados das diversas palafitas havia alguma coisa escrita, mas, com a distância, e, mesmo com o zoom da câmera, eu ainda não conseguia ler.   Só quando estávamos mais próximos foi que entendi por quê. Era o logo, o nome do hotel, mas a pintura estava tão velha, tão descascada que ficava difícil decifrar o que eram as letras em branco numa superfície pintada de verde e o que era latão descascado mesmo. Por aí já deu para sentir a vibe da coisa. Percebi que aquela pintura devia datar da inauguração do hotel.  

Um pouco mais de perto...





Nossa efetiva chegada no píer do hotel foi cômica, senão trágica. Explico. Primeiro, porque assim que o barco atracou era possível ver a movimentação e a correria de alguns funcionários do hotel, na busca por instrumentos musicais “indígenas”, além de uma série de colares de madeira e sementes que, à medida em que íamos desembarcando, eles penduravam no nosso pescoço. Uma coisa assim, bem ilha da fantasia mesmo, mas totalmente fake. Eu, a essas alturas, já estava às gargalhadas e lamentando, profundamente, não ter ninguém mais íntimo por perto para poder compartilhar as minhas reflexões profundas e antropológicas sobre a cena. Realizem: uma “índia” jovem, visivelmente fora de forma, como duas cascas de coco como parte superior do biquíni e uma saia de palha de alguma coisa, se requebrando ao som de um batuque desafinado de outros “índios” colegas seus, que nos davam as boas-vindas. Simplesmente uma visão inesquecível. Mais tarde, um desses mesmos “índios” estava servindo a bebida, durante o almoço e a tal índia, certamente, deveria estar lá dentro, na cozinha. Nossa senhora! rsrsrsrr. Nesse exato momento, se eu tinha ainda alguma dúvida do golpe que eu estava sofrendo e, com o perdão do trocadilho, da indiada em que estava me metendo, essa foi completamente dissipada. Além disso, bastou que desembarcássemos todos para que o barco fosse “preso”. Isso mesmo. Havia uns policiais da capitania dos portos, eu acho, e mal chegamos e nosso barco, o fuca aquele, foi apreendido. E prá explicar pro indiano o que estava acontecendo? rsrsrsr Passado o choque inicial com a “recepção para gringo ver”, considerando o atraso com que saímos, deveríamos ter chegado por lá de manhã ainda, mas fomos chegar, de fato, já no horário do almoço, perdendo os passeios da manhã, entre eles conhecer o tal boto cor de rosa. Mas isso não era nada... A confusão maior ainda estava por vir, pois, até aí acreditávamos que os passeios todos, mesmo com o atraso, seriam cumpridos, além do que, por óbvio, retornaríamos a Manaus com o mesmo atraso que houve na partida. Que nada! Mal chegamos, fomos informados de que retornaríamos no exato horário previsto e, assim, por óbvio, deixaríamos de fazer os passeios que, segundo o hotel, já havíamos perdido. Eu que, até então estava levando tudo na esportiva, por óbvio que não me contive diante de tamanho abuso e fui, sim, como de regra, brigar pelos meus direitos e os de todos os demais que estavam ali. Foi nesse momento em que conheci os brasileiros do grupo, pois estávamos todos juntos, furiosos reclamando. Claro que as líderes da rebelião éramos eu e uma paulista e, assim, não demorou muito para um funcionário da gerência do hotel nos chamar de canto para tentarmos resolver o impasse. Eu estava esperando, enfim, uma solução para o conflito, quando o tal sujeito me sai com uma proposta, no mínimo, inusitada: a de que eu e a tal paulista ficássemos no hotel naquela noite, sem custos adicionais, fizéssemos todos os passeios que faltaram e voltássemos a Manaus no dia seguinte, com a condição de que calássemos imediatamente a boca e, segundo eles, parássemos de insuflar o grupo “contra” o hotel. Olha! Sinceramente. Nem sei dizer hoje qual foi o meu sentimento, mas lembro bem qual foi a minha reação. Evidente que eu disse não à tal proposta e ainda fiz com que eles tratassem de cumprir todos os passeios que faltavam, sob pena de eu fazer um escândalo maior ainda, além de, lógico, acionar o hotel na Justiça e colocar a boca no trombone com a imprensa local. E ainda disse, furiosa, que de jeito nenhum que eu ia passar a noite naquela espelunca e que eles tratassem de me levar de volta a Manaus, além de providenciar transporte para mim e todos os demais turistas, quando lá chegássemos, pois, diferente do inicialmente programado, não íamos mais chegar de dia, à tardinha, mas, agora, tarde da noite. Quanto à paulista, diferente de mim, que tenho sempre que ser a “paladina da justiça” e a defensora dos “frascos e comprimidos”, ela aceitou a proposta. Realmente, cada homem tem seu preço. E o meu, em definitivo, não é assim tão barato. Depois de toda essa adrenalina inicial, finalmente, fomos almoçar e fazer os tais passeios ainda possíveis, com exceção de conhecer o boto cor-de-rosa, pois isso deveríamos ter feito de manhã bem cedo, na hora em que ele aparece. Acho que não vou esquecer nunca o choro compulsivo de uma moça brasileira, aeromoça, que vivia no Líbano, e há 13 anos não vinha ao Brasil e que só o que sabia dizer era que tinha atravessado o mundo prá ver o boto cor-de-rosa e não ia ver. Eu tentei consolar. Juro que tentei. Tentei até fazer graça com a situação, mas foi impossível. Se alguém ainda tem dúvida ou não entende bem o que é um “dano moral” ou frustração de expectativa, aí está um exemplo bem claro, concreto e palpável, materializado naquelas lágrimas e que, dificilmente, haverá dinheiro no mundo capaz de pagar. Ultrapassados esses episódios tragicômicos, o resto do passeio até foi divertido e é indiscutível a beleza e a imensidão da floresta amazônica. Uma coisa realmente de fazer a gente perder a fala.

Os outro itens do passeio eram todos também uma grande palhaçada. A tal visita à casa de caboclo... Me poupe! Só faltava a gente enxergar as pessoas correndo prá trás da casa e se travestindo em caboclos prá nos receber. Lamentável. Ah! Hospitaleiramente, eles também ofereciam sucos de frutas da região e eu só conseguia, nesse momento, ouvir, dentro da minha cabeça, como se fosse grilo falante, as palavras do meu namorado, com sua peculiar delicadeza, dizendo: “Tchê, não vai inventar de beber nada que não seja industrializado que vais ficar com caganeira!”. Assim, nada mais me restou a não ser beber mesmo uma cerveja. Detalhe: comprada diretamente dos “caboclos” e por um preço, mais uma vez, obsceno. Depois disso, ainda houve a pesca das piranhas. Bah! Isso sim foi prá matar. Talvez mesmo o “the best of” de toda a indiada. Nossa! Um calor do demo, nós todos amontoados dentro de uma canoa parada em uma água parada que mais parecia um esgoto a um rio. Cada um com um caniço de eficácia duvidosa, onde já estava uma isca colocada pelo “piloto” da canoa. Todos quietos, sem poder se mexer e nem dar um pio, porque isso iria “espantar as piranhas”. Vários mosquitos e outros insetos nos atacando. Olha, sinceramente, até espírito esportivo tem limite! Lógico que ninguém pescou piranha nenhuma! Depois, seguimos na tal canoa para um lugar mais afastado, uma espécie de praia na beira do rio, pois, afinal, ali não podíamos tomar banho já que havia piranhas, né? rsrsrs E, graças a Deus, finalmente, pude me refrescar com um belo banho no rio negro prá fechar com chave de ouro a indiada mor.

Lembro que eu tava preocupada de voltar toda molhada prá Manaus depois do tal mergulho. Que nada! Lá o calor é tamanho que, em seguidinha, eu já estava seca. Só não podia imaginar era a confusão que ainda estava por vir. Mesmo depois de armar toda a guerra, especialmente exigindo o translado de todo mundo até os hotéis eu mesma não fui na Van disponibilizada pelo hotel, pois acabei fazendo amizade com uma casal manauara que me deu uma carona. Conforme previsto, chegamos tarde da noite em Manaus e só quando cheguei lá foi que lembrei que eu tinha celular, até porque, no meio da mata não tem sinal mesmo. Então, prá minha surpresa, havia um zilhão de chamadas não atendidas do meu namorado, que estava a trabalho em Belém, Pará, e de um amigo dele lá de Manaus mesmo. Assim que eu vi o número expressivo de ligações, retornei para saber o que havia e foi quando, com voz de alívio, ele perguntou se eu estava bem. Não entendi nada e disse que sim. Adivinhem? Ele havia resolvido me fazer uma surpresa e deixado as chaves do carro para o tal amigo ir me buscar no porto de Manaus, no meu horário previsto de chegada, às 18h. Ocorre que euzinha não sabia nada dessa resolução aí dele e, além disso, só cheguei passando das 23h. Não bastasse isso, um barco de turistas havia afundado naquela tarde mesmo. Resumo da ópera: eu odeio surpresas! rsrsrsrs  Há, ainda, tantos outros detalhes, da mesma forma engraçados, mas dos quais, como previa sabiamente aquela minha amiga, não lembro mais. Porém, não quero que pensem que eu não gostei de Manaus. Pelo contrário, gostei e muito e, em outra oportunidade, escrevo um post só sobre as dicas de passeios e de como evitar as indiadas monstras iguais a essa minha aí.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mi Buenos Aires Querido...















Enfim, se este é um blog que pretende fazer sugestões de roteiro, definitivamente, eu não poderia começar esta seção de “dicas” por nenhum outro lugar que não fosse Buenos Aires. Não, eu não sou porteña. Sou brasileira, e com orgulho, mas o fato é que sou, sim, porteña de alma. Tenho até vergonha de dizer quantas vezes já fui a Buenos Aires... Em 2007, por exemplo, eu cheguei a ir por três vezes! Explico. De onde eu moro é razoavelmente prático, perto e barato fazer esse passeio. É possível pegar um ônibus, leito, de excursão, com saída de Rio Grande ou Pelotas, à noite, por volta das 20h e, no outro dia, em torno das 11h da manhã chegar à bela capital porteña. Dependendo do “pacote”, são em torno de 3 diárias em hotéis razoáveis e bem localizados, além de alguns passeios básicos e clássicos inclusos, pela bagatela de R$ 670,00 (parcelados em 4x ainda!). Como, nessas condições, não ter ido mais de 15 vezes a Buenos Aires? Ok. Confessei, então... É isso. Já foram mais de quinze idas à belíssima capital Argentina e juro, juro mesmo, em nenhuma delas eu “repeti” passeios, o que significa que há muito, mais muito mesmo para se ver e desfrutar por lá. Engraçado, porque minha relação com Buenos Aires, mesmo já na primeira ida prá lá, foi de extrema intimidade. Quase mesmo um “déjà vu”. Uma impressão de que eu já conhecia e muito bem o lugar. De que parecia que eu já havia vivido lá. Isso é único. De todos os lugares por onde já estive, só senti e sinto isso mesmo lá. Por isso tantas idas e, de verdade, já nem considero minhas idas prá lá como uma viagem, mas bem mais com um retorno a um lugar íntimo, conhecido. Como se estivesse mesmo sempre revisitando a minha própria casa. Neste ano de 2010 só fui uma vez, na páscoa. E, lógico, já estou saudosa...
Buenas, então, sem mais delongas, segue aí abaixo um roteiro “básico” por Buenos Aires, seguido de dicas essenciais na cidade. Este roteiro, óbvio, que eu já fiz e que já recomendei a alguns amigos queridos que também já o testaram e aprovaram. Assim, boa viagem a todos!
Então...bolei uma sugestão de roteiro prá vocês.
1º sugiro que vocês fiquem no Hotel Gran King, que é categoria 4 estrelas na Argentina (no Brasil, seria equivalente a 3 estrelas, mas, atualmente, com a reforma, acho que já está mesmo em 4 estrelas), e é um hotel muito bom e, especialmente, suuuuuuuuuuuuuuuper bem localizado! Bem no centro comercial de Buenos Aires, porque fica na Calle Lavalle quase esquina com Calle Florida, as duas principais ruas, onde funcionam os dois calçadões de Buenos Aires. O café da manhã é bem bom também! Além disso, as diárias sempre foram bem acessíveis. Quanto a isso, basta conferir no site do próprio hotel, onde consta: Grand King Hotel se encontra situado no micro centro da Buenos Aires entre as emblemáticas ruas só para pedestres Florida e Lavalle que reúnem uma amplia oferta de cinemas, lojas de discos, restaurantes e exclusivas lojas de roupas (ex.: Galerias Pacífico)... A alguns passos dos principais pontos de interesse da cidade, tanto comerciais, financeiros, de negócios e turismo. A uns poucos metros da estação de metrô: “Florida” e dos pontos de ônibus de diversas linhas urbanas, o que permite um aceso rápido a qualquer ponto da cidade. Junto à Avenida Corrientes afamada por oferecer a maior quantidade de teatros, livrarias, ao Obelisco e ao teatro Colón. Também próximo a “Puerto Madero” onde encontrará a mais seleta e variada oferta gastronômica com vista ao Río de la Plata. Assim como também ao casco histórico onde estão os principais prédios constitucionais, tanguerías (casas de tango) e museus.
Ah! Outra coisa importantíssima! Os táxis em BA são baratíssimos. Assim, a menos que vcs queiram caminhar prá ver ou conhecer alguma coisa, não vale à pena se cansar...façam que nem a Angélica e vão de táxi! rsrsrs Todavia, como em qualquer cidade grande, tenham atenção com os táxis piratas! Observem se há na lateral do carro a etiqueta aquela com o nome da companhia de táxi e o telefone também. Caso contrário, dispensem. É sabido que há uma espécie de gangue de taxistas que atuam nos arredores do aeroporto e que assaltam os turistas. Assim, se forem de avião, nunca esqueçam de já comprar o transfer até o hotel. Nada de pegar táxi por conta no aeroporto! Ah! E por falar em aeroporto, não custa lembrar que como em vários outros países, há uma taxa de imigração que tem que ser paga em dinheiro, em dólar, diretamente no aeroporto pelo próprio passageiro, quando vai deixar o país. Se não me engano, era de U$ 25,00 dólares a taxa em Buenos Aires, mas isso é só conferir na internet mesmo. Além disso, durante à noite, a menos que seja no próprio calçadão, perto do hotel, não é muito recomendável andarem a pé pela cidade, pois diferente de outros tempos, atualmente a criminalidade é alta em BA.
Bom, considerando um tamanho básico de roteiro, vou considerar 4 noites e cinco dias na cidade e fazer uma sugestão por dias, ok?
1º dia – quarta-feira)
Não sei a que horas vcs vão chegar em BA, assim, se chegarem ainda de dia, sugiro que almocem no “Palácio de las papas fritas” que é um restaurante super tradicional e fica praticamente na esquina do hotel Gran King, na Calle Lavalle. A dica é pedir qualquer carne - porque na Argentina são todas maravilhosas - e as famosas papas suflê – são umas batatinhas fritas e estufadas, MARAVILHOSAS! Marca registrada deste restaurante!
Após o almoço e ainda durante o dia, ou mesmo à tardinha, vocês podem dar uma caminhada pela calle Florida, no sentido contrário ao da Av. Corrientes, prá ver o comércio local e ir até a Galeria Pacífico, que é um shopping Center construído dentro de uma antiga galeria de artes. O prédio é lindíssimo! Vale à pena conferir! No mais...por dentro, além das belíssimas pinturas no teto (tem visitas guiadas tb, basta verificar os horários!) é um shopping como qualquer outro. Ah! De “sobremesa” vocês podem aproveitar e tomar um sorvete no Freddo, uma “instituição” argentina! ÓTIMO! rsrsrs.
 Seguindo pela Florida, é só atravessar a rua que vocês vão ver o antigo prédio da Harrods, igual ao de Londres. Só havia duas no mundo: a de Londres e esta, mas depois da guerra das Malvinas os argentinos nunca mais compraram nem uma bala lá e faliram a loja. Coisas do incrível e invejável patriotismo argentino! Vale conferir o prédio que é belíssimo! Principalmente a porta! É inacreditável!



Se ainda for dia...sugiro que caminhem em frente, até a praça San Martin, sempre pela Florida. Passando a praça, vocês vão ver o monumento aos caídos (mortos) nas Malvinas, que é bem emblemático e, logo à frente, uma torre que lembra o Big Ben, presente do governo inglês e conhecida como a torre dos Ingleses.




Depois disso, acho que vocês devem voltar pro hotel e se organizar para a noite. Como é quarta-feira, sugiro que vão fazer um lanche ou até mesmo tomar um café no café mais lindo e antigo de Buenos Aires, o café Tortoni, que fica na Avenida de Mayo. Lá tem um show de tango bem simples e tradicional, mas que é muito lindo! Se vocês conseguirem assistir sem fazer reservas (porque é quarta-feira!) acho que vale muito a pena! (caso contrário, para garantir, podem pedir que o hotel reserve vaga no show prá vocês, não é caro, na faixa de U$ 15,00 por pessoa).
E acho que p/o 1º dia é isso né... 

Que nada! rsrsrsrs Se estiverem dispostos e quiserem esticar sugiro um show ou até uma ópera nos diversos teatros da Corrientes. Eu assisti ao fantasma da ópera, produção da Broadway, no Teatro Ópera, que fica perto do hotel de vocês, e foi demais. Mas, resolvendo isso, é melhor comprar as entradas antes, logo que cheguem em BA, pois daí podem sair do Tortoni direto prá lá. Dá prá pagar os ingressos no cartão de crédito e o melhor lugar de todos, tipo vip, não passava de R$ 100,00 por pessoa. Vale muito a pena!


2º dia – quinta-feira)
Acho que é bom aproveitar o início do passeio e que vocês ainda estão cheios de gás e cumprir de uma vez os “roteiros obrigatórios” como o city tour. Bom. Vocês podem perfeitamente fazer isso sozinhos ou contratar um city tour no próprio hotel. A única vantagem é que terão um guia local explicando as coisas... Isso fica a critério de cada um, né? rsrsrs Contratado ou não o city tour o roteiro “básico” é o seguinte: 1ª parada praça de mayo, onde está localizada a catedral metropolitana de BA, a casa rosada, o Cabildo, um outro prédio bonito que é o banco de La Nacion e acho q é isso...rsrsrs Observem, bem no meio da praça, no meio das pombas, onde tem um obelisco, que, à volta, desenhados no chão, estão os lenços (na verdade fraldas) das mães da praça de mayo, porque era ali que elas faziam, todas as quintas-feiras, um protesto silencioso em nome dos filhos desaparecidos/mortos, durante e ditadura militar argentina.
Depois da praça de mayo, seguindo pela própria avenida de mayo, na outra extremidade dessa avenida, está o Congresso Nacional Argentino. (Eu já fiz essa travessia da Av. de Mayo, de ponta a ponta, toda a pé e acho linda! Mas tudo depende do tempo e do estado físico de vocês também. É um passeio legal, porque essa avenida também corta a 9 de julho e dá prá ter uma boa noção da beleza dos prédios de BA). O Congresso Nacional é um prédio belíssimo e aberto à visitação também. Daí tem que ver os horários 1º né... (dá para verificar pela internet).
Na praça, em frente ao Congresso, tem uma réplica do pensador de Rodin. Só tem 6 dessas no mundo e uma é essa aí. A de BA, infelizmente, está toda pichada e fica cheia de mendigos em volta...Tem seu “charme” sei lá...Tem também muuuuuuuuuitos cachorros nesta praça. É bonito de ver.

Feito isso, é hora de rumar para “La Boca ”. O bairro onde fica o famoso caminito. Que é um “caminhozinho” onde vários artistas expõem suas obras de arte. Na maioria, pinturas. Só dá para visitar este bairro de dia! À noite é pedir para ser assaltado! É um dos pontos mais coloridos e alegres de BA. Só vão se o tempo estiver bonito, se não não vale à pena, porque bonita é a rua mesmo... No mais, são inúmeras lojas que vendem todos os tipos de souvenirs...


Tem bons restaurantes por lá também. Assim, se quiserem almoçar, pode ser por aí mesmo. Vocês também podem visitar o estádio “La Bombonera”, que é a sede do Boca Júniors e que fica logo ali e tem visita guiada. Para os amantes do futebol, é uma boa pedida.
Após, sugiro que tentem visitar o Teatro Colon que fica na Avenida 9 de Julho, e é MARAVILHOSO, mas, ainda que oficialmente inaugurado, ainda há poucos meses estava fechado à visitação. Assim, melhor conferir pela internet também. Esta avenida 9 de julho, onde está o Teatro, é considerada pelos argentinos a maior do mundo em largura, mas, na verdade, não é. A maior avenida do mundo, em largura, é o eixo monumental de Brasília! rsrssr, mas que, convenhamos, não chega aos pés da beleza e charme da 9 de julho. Sugiro que vocês, direto da Boca, peguem um táxi e desçam no obelisco e daí vão caminhando até o Teatro, prá curtir um pouco dessa avenida enorme também... Se tiverem pernas, vocês podem caminhar até a Av. Santa Fé, uma, outra rua de compras, bem conhecida em BA, uma das tantas avenidas que cortam a 9 de julho. Lá, vocês devem ir até a livraria “El Ateneu”, que é lindíssima e funciona dentro de um antigo Teatro e, a partir dali, seguir ou voltar olhando as lojas e galerias que são muitas nos arredores. Tem uma galeria, em especial, bem típica, que é freqüentada só pelo pessoal que curte heavy metal. Lá tem vários estúdios de tatoo e tb váaaaaaaaaaaaarias lojas de disco e CDs de rock. Beeeem legal!
Bom, agora já deve ser à tardinha...e sugiro que voltem pro hotel prá tomar um banho (se quiserem! rsrsrs) e saírem para jantar. Sugiro que pelo menos uma noite, vcs vão à Recoleta à noite. Este bairro é muito bonito e completamente diferente à noite do que de dia. Vale uma recorrida por lá. Além disso, tem restaurantes ótimos!
Se quiserem esticar, podem ir a uma boate em Palermo, que não é muito distante da Recoleta. É só perguntar, no próprio hotel, ou a qualquer taxista sobre qual é a “disco” (=balada) da moda prá vcs irem.
3º dia – sexta-feira)
Manhã “livre” acaso vocês tenham se esbaldado na noite ou, como opcional, podem fazer um passeio cultural visitando a “Menzana de las luzes”, que fica próxima à praça de mayo. É uma quadra inteira, onde funcionou a 1ª escola de BA, fundada pelos Jesuítas. Tem visita guiada e é muito lindo, culturalmente falando...
De lá, vocês devem ir direto ao Puerto Madero e se preparar prá caminhar bastante. Só é bonito se tiver sol. Lá tem diversos restaurantes e tem um museu náutico, dentro de um imenso veleiro. Podem almoçar em qualquer restaurante ou bar que tem por lá. Eu aaaaaaaaaaamo o Hooters – aquela franquia americana que só umas peitudas é que trabalham no bar! E dançam, fazem bambolê...é engraçado! rsrsrs. Depois do passeio diurno por Puerto Madero, a sugestão é que voltem à noite prá jantar no “Siga La vaca”, um dos restaurantes preferidos dos brasileiros em BA, porque, além de econômico (em média R$ 35,00 por pessoa) trata-se de uma espécie de churrascaria de rodízio, com tudo livre e a carne é MARAVILHOSA! Pelo valor por pessoa está incluído também um jarro de chope, vinho ou refrigerante e, ainda, a sobremesa. Vale a pena! Depois, a dica é ir ao cassino de Puerto Madero que fica próximo, mas é melhor pegar táxi, porque tem um estacionamento gigante prá atravessar a pé, fora que chegar a pé neste cassino dá uma sensação parecida a chegar a pé em um motel... rsrsrs
4º dia- sábado)
Sugiro, neste dia, fazer uma coisa mais “zen”, mais próxima da natureza e começar o dia visitando o lindíssimo Parque de Palermo. Dá prá pegar o metrô na Corrientes, na estação Florida, próxima ao hotel de vocês e descer praticamente em frente a esse parque que é muuuuuuuuuito lindo e gigante. Tem um rosedal e um lago com pedalinhos, um jardim japonês, os passeadores de cachorro (com até 20 cachorros! É demais!) e tem aquelas charretes, tipo Nova York, que vocês podem alugar prá passear pelo parque. Apesar de ultra brega turístico, acho bem legal... rsrsrs Além disso, no próprio parque, funciona o Zoológico de BA que é lindíssimo! Até urso polar e show de lobos marinhos tem! Prá quem gosta de bichos, vale muito à pena. Eu e minha irma fomos e adoramos! Depois, mais à tardinha, peguem um táxi - porque apesar de relativamente perto, vocês já devem estar podres de caminhar...rsrsrs – e desçam na praça da Recoleta, em frente à Igreja. Lá funciona uma feira de artesanato suuuuper legal! Prá mim é o lugar mais astral de BA. As pessoas ficam lá...todas atiradas na grama, assistindo a shows de música ao vivo...Jamais fico um sábado à tarde sem ir lá!
Além disso, procurem chegar antes das 17h que é a hora que fecha o cemitério, porque essa visita é imperdível também! Junto aos cemitérios de Paris e New Orleans este é considerado um dos mais lindos do mundo, arquitetonicamente falando, né. E tem visita guiada. O cemitério fica ao lado da Igreja de Nossa Senhora “del Pillar”.

Se não quiserem ir ao zoológico, sobrará mais tempo e vocês podem ir antes prá Recoleta e visitar uma série de museus que ficam na própria praça da Recoleta ou, atravessando a rua, também tem o Museu de Belas Artes de BA – que tem obras de Van Gogh e Monet, entre outros artistas renomados. Tudo vai depender do tempo que vocês levarem em Palermo... Se forem cedo, dá tempo de fazer tudo! Também podem fazer um happy hour, no Hard Rock café de BA, que também fica aí na Recoleta e tem um chope MARAVILHOSO e dar um jeito de voltar pro hotel, porque sábado à noite é dia de show de tango em BA!


Já que é a 1ª vez de vocês em BA, acho que devem mesmo ir ao show na casa Señor Tango. É coisa prá turista. Bem hollywoodiano, meio Brodway mesmo, mas o show é lindo e a janta é muito boa também. Acho que, ao menos uma vez na vida, se deve ir sim! O valor era em torno de U$ 80,00 por pessoa o show com o jantar incluído. Mas isso também tem que comprar antes, através do hotel ou direto em qualquer agência de turismo no calçadão da Florida, pois o hotel, de regra, cobra comissão para fazer isso. Ah! Já comprem com o transfer hotel-show; show-hotel, porque depois do show o lugar é meio “bocada” e difícil de pegar táxi de volta. rsrsrs. Fica em San Telmo.

5º dia –domingo)
A partir das 10h o programa “obrigatório” de domingo é visitar a Feira de San Telmo, um mercado de pulgas, super charmoso e que vende de tudo mesmo! É bem bonito o bairro todo. Lotado de antiquários e artistas de rua. Muito bonito... Além disso, há ótimo restaurantes típicos nas redondezas também.
Buenas...depois...não sei, porque acho que vocês já devem estar indo embora. Então, prá esses poucos dias minhas “dicas básicas” são essas mesmo!
BA é tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo de bom e tenho certeza de que vocês vão amar, tanto quanto eu!
Beijão e boa viagem!
PS. Para quem estiver curioso e pensando ou perguntando por que eu não falei de nenhum shopping-center... Lógico que BA tem vários e bons shopping-centers, mas, honestamente... na minha opinião perder tempo enfurnado dentro de um quando há tantas outras coisas maravilhosas para ver na cidade, mas, enfim, prá quem quer mesmo se socar dentro de um, aí vão as dicas. O mais chic de todos, sem dúvida é o Pátio Bulrich, que fica lá no final da 9 de julho, acho que já na Recoleta. É o mais antigo de toda a América latina. Ele é pequeno e está em um prédio que era um antigo lugar de leilão e remates de gados e, por isso, há várias esculturas de cabeças de cavalos, vacas e ovelhas no interior, além de um antigo relógio e um lustre gigantesco. O prédio é bem bonito mesmo. E hoje, como eu já disse, é um shopping de alta classe onde ficam lojas das mais importantes grifes argentinas e internacionais. Não muito longe dali está o shopping alto-palermo, bem maior e mais moderno que o 1º. Um shopping “clássico”. Há também o shopping Abasto, um pouco mais distante do centro, e de arquitetura interessante, especialmente para as crianças considerando que ele tem um verdadeiro parque de diversões por dentro, inclusive com uma roda gigante, o que faz com que a arquitetura do prédio acompanhe o seu formato. As Galerias Pacífico, que ficam em plena Florida, também podem ser consideradas um shopping e também de alto nível. O prédio é belíssimo e ali funcionava, como eu já disse, uma antiga galeria de arte. Até hoje há espaço para exposições de arte, boa parte gratuitas e que valem muito à pena. O último – pelo menos dos que eu conheço – é o Unicenter, o maior de todos e um dos maiores da América Latina. Esse fica fora da cidade, em uma avenida perimetral e é imenso. Nele há muitas lojas, desde as chiques até as mais populares. O destaque é para o hipermercado Jumbo, que vende de tudo mesmo, e para a rede chilena de lojas de departamento “Falabella”, onde sempre é possível fazer várias e boas compras! Há também mais três lojas da Falabella, todas no centro, no calçadão da Florida: uma de eletrônicos, outra de bazar e uma terceira de moda feminina, masculina e esportiva.

Eu garanto: viajar é bem mais barato do que parece!

Bom, faço questão de começar o tal de blog pelo menos tentando desmistificar a idéia de que viajar é coisa para quem tem dinheiro.
Não é! Acreditem!
Eu digo que viajar é coisa para quem tem prioridades, isso sim... Porque é óbvio que uma viagem demanda custos e eu não estou dizendo o contrário disso, mas, é necessário, antes de viajar (na minha opinião, já viajando, pois é justamente aí que já começa parte da curtição da viagem!!) fazer o planejamento, inclusive dos gastos mínimos com a tal viagem. Vou tentar “exemplificar” o que eu entendo por prioridade para quem quer viajar. Por exemplo, eu acho muito, mas muuuuuuuuuuuuuuuuuito mais caro pagar R$ 30,00 (trinta reais) mortos prá entrar numa festa, onde, em geral, nem boa noite te dão do que investir U$70,00 em um jantar show de tango em Buenos Aires, com bebida livre. Prá mim, não tem nem comparação! Vai comparar o investimento de, em média, R$ 150,00 por pessoa, para assistir a um show de tango INESQUECÍVEL, de pelo menos duas horas de duração, precedido por um jantar honesto e regado, toda a noite, por vinho ou cerveja à escolha do freguês, com colocar R$ 30,00 no lixo, prá, antes, ficar morrendo de frio em uma fila, entrar numa festa cheia de gente mal educada, PAGAR prá tomar cerveja QUENTE (de regra, long neck e caríssima ainda!!!) e ser obrigada a usar um banheiro imundo... Lógico que prá ir no tal show é preciso juntar esses dólares aí antes e, daí, por exemplo, fazer o sacrifício de deixar de sair umas 5 noites nessa festinha aí dos 30 pilas mortos já na porta... É como eu digo: questão de prioridade!!
Outra coisa que também acho equivocada é a idéia de que para se fazer uma boa viagem é preciso levar muito dinheiro para poder comprar muitas coisas...
Depende. Depende mesmo!
E olha que quem me conhece sabe que eu sou daquelas que consegue comprar até o que não está prá vender! rsrsrs Sou consumista sim! Mas com o meu din-din, qual é o problema? Mas já fiz viagens incríveis sem comprar nada não. Como eu disse, tudo depende do propósito da viagem. Eu, normalmente, gosto de conciliar as duas coisas: uma excelente programação cultural, aliada a tempo livre para recorrer a TODAS as feirinhas de artesanato locais. Sou doida por feira de artesanato! Minha casa tá parecendo uma filial do fun-fun já! (uma tangueria em Montevideo que tem coisas penduradas até no teto!). Mas esse é o meu estilo. Eu gosto, curto, trazer “recuerdos” dos lugares por onde andei, especialmente se for alguma coisa para decorar o meu bar que é o meu xodó, o meu calcanhar de Aquiles mesmo...
Mas voltando à temática central, desafio qualquer um a, fazendo o devido planejamento, priorizando gastos, concluir que viajar sai muito mais barato do que parece! Tenho um outro exemplo, real e recente. No feriado de 7 de setembro do ano passado eu montei um “roteiro família” para Montevideo, de carro. Saindo de Pelotas, Rio Grande do Sul, que fica a aproximadamente 600 Km de Montevideo. Fomos em dois carros, 8 pessoas. Fiz as reservas dos hotéis (pela internet através dos sites da Decolar ou Submarino que eu uso muito e recomendo), classe econômica, mas bem localizados – o que reduz e MUITO os gastos de deslocamento durante a estadia no local – duas noites em Montevideo e uma em Punta Del Este. A fim de facilitar os trâmites, descontei tudo no meu cartão de crédito, PARCELADO, AINDA, EM 6X, inclusive a gasolina e pasmem! Sabem quanto saiu, por pessoa, a despesa total com deslocamento (gasolina e pedágios, exceto as despesas com alimentação que não superam o mesmo que se gastaria no Brasil) e hotel, para todo o feriadão? A bagatela de R$ 380,00 por pessoa (aproximadamente U$ 180). Menos, bem menos, do que algumas pessoas pagam por um jeans!!
Lógico que também não é preciso que ninguém vire Franciscano prá fazer uma viagem. Aproveitando o ensejo, eu mesma, atualmente, jamais faria o tão comentado “mochilão”. Definitivamente, já passei desta fase... Não acho que se deva desperdiçar dinheiro com luxos bestas e desnecessários, como ficar em hotéis caríssimos ou fazer todas as refeições em restaurantes, mas um mínimo de conforto e higiene, isso eu exijo sim! Já acampei muito e já fiz muita indiada, assim, atualmente, me sinto no pleno direito de, quando viajo, ficar em hotel decente e, de preferência, com um bom café da manhã, o que também reduz, e muito, as despesas com alimentação. Sou contra gastar fortunas em hotéis caros, porque, no meu caso, eles só servem mesmo como um lugar onde se toma banho e se cai “morta” em uma cama em um final de dia de muita caminhada. Prá que gastar tanto com frescuras que, de regra, não se vai nem aproveitar? Um bom hotel para mim tem que ser limpo, bem localizado, com condições mínimas e razoáveis de acomodação, um bom café da manhã e, de preferência, com internet wireless free (coisa que a maioria, pelo menos dos que se prestam, hoje já tem). O café da manhã poupa sempre as despesas e, principalmente, a perda de tempo com o almoço. Depois de tomar um bom café da manhã no hotel, bem reforçado, é possível iniciar a maratona de passeios e caminhadas e agüentar bem, sem fome e sem necessidade de parar para o almoço até, pelo menos, o meio da tarde, quando é possível uma parada para um lanche rápido. Eu, particularmente, considero um absurdo perder mais de duas horas com uma parada para almoço. Sinceramente! Sou muito mais, depois de um dia de intensos passeios e caminhadas, aí sim, perder tempo, dedicando-se a um bom jantar regado, lógico, a uma boa bebida à escolha do freguês, com tempo para desfrutar e lembrar de todas as coisas maravilhosas que se viu, fez e viveu durante o dia...
Logo, dentro dessa “lógica”, a despesa concreta com alimentação passa a ser com uma refeição por dia, além de um lanche rápido na rua mesmo, o que custa exatamente a metade do que “almoçar e jantar”  todos os dias, durante a viagem. Mas isso tudo, de novo, tem a ver com aquela questão de prioridade que eu já falei né...
Assim, repito: viajar é uma questão de prioridade, muito mais do que de ter dinheiro para isso. Podem acreditar!