quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Como continuar, depois de New York?

Então...Definitivamente, minhas férias de julho de 2011 terminaram.É fato. É domingo, 31 de julho, já tocou a musiquinha do Fantástico e amanhã, não bastasse uma, tem duas senzalas me esperando.Ate aí, nada de novo. Afinal, é sempre isso que acontece no final das férias. Não. Não é a mesma coisa. Não sei ainda dizer o que houve dessa vez, mas não é como das outras. Lógico que eu já sofri ao deixar certos lugares, no final das viagens, como aconteceu em Madrid, por exemplo, mas é diferente, porque lá moram meus compadres e meu afilhado querido, amigos de toda vida. Normal ficar nostálgica em deixar um lugar assim. E em NY? Quem mora lá? Não conheço ninguém, absolutamente ninguém lá. Fui e voltei sozinha de lá. Nunca havia estado por lá antes. Na verdade, foi meu primeiro porto na terra do Tio Sam. Como explicar isso, então? Como explicar essa dor, quase desespero que eu sinto agora em lembrar de lá. Em não ter querido sair de lá e, pior, em não querer estar aqui ainda. Não sei explicar. Não sei mesmo. Desisti de tentar entender. Só uma coisa eu sei: a memória afetiva que temos pelas coisas e lugares que nunca vimos e onde nunca estivemos pode ser muito mais forte do que podemos imaginar. Acho que foi isso o que aconteceu em NY. Só pode. Não é, definitivamente, normal eu me debulhar em lágrimas nos lugares como aconteceu por lá. Também não é normal eu ter que ficar engolindo o choro na rua, no meu último por dia por lá, enquanto me despedia das coisas que eu tanto gostei. É muito daquilo, daquela sensação de já conhecer o que na verdade a gente ainda não conhece. Isso me tocou muito. Demais. Pra quem sempre foi louca por cinema, como eu, é muito forte a experiência de estar naqueles lugares só conhecidos das grandes telas. Sentir esses lugares. Experimentar a sensação única de que eles, de fato, existem é uma coisa indescritível. Evidente que eu trouxe fotos, e muitas, de tudo isso, mas nenhuma fotografia é capaz de captar aquilo que de melhor uma viagem deixa na gente: as marcas profundas, a impressão na alma, as sensações, os gostos, os cheiros e até os pensamentos que a gente tem enquanto está por lá. Não existe fotografia capaz de captar isso, por maior que seja a sensibilidade do fotógrafo. Assim, estou, ao mesmo tempo, feliz e triste. Feliz por ter estado lá, triste por não estar mais. Ainda não consegui me acostumar a não estar mais lá. Espero que não demore. Às vezes é tão mais fácil e cômodo a gente aceitar a nossa vida quando desconhece todo o mundo que está à parte dela e maior que ela. Eu acho que um pouco foi isso, essa sensação de estar em uma cidade de fato cosmopolita e poder viver a experiência de conviver com gente do mundo todo, com caras, cores, línguas e culturas absolutamente diferentes. Uma verdadeira Babel moderna. Essa experiência é tão forte que fica difícil retomar a rotina depois disso. É lógico que eu consigo! E eu adoro a minha vida - com tudo que faz parte dela - a minha casa, na minha cidade, no meu país. Não é que eu não quisesse voltar. Não é isso. É diferente. E muito difícil mesmo de explicar. Talvez eu não estivesse ainda pronta pra voltar ou refeita da desconstrução que é viver uma experiência assim. É. Acho que pode ser isso sim.Em resumo, em relação a NY só tenho um lamento: não ter ido antes!